Análise do Atendimento ao Cliente
Uma tela só para entender qualquer ligação de cliente. Com IA, o time de ouvidoria da TIM passou a revisar uma ligação em 30 minutos, e não mais em 4 horas.
"Nós já temos telas demais."
Situação
Quando um cliente reclama na Anatel, o time de ouvidoria da TIM precisa descobrir o que deu errado nas ligações desse cliente. Esse é o trabalho do Fabiano, analista do time e usuário principal do projeto.
A TIM já trabalhava com a IBM Consulting desde 2021 em speech analytics. A primeira ferramenta mostrava dados, mas não respostas. Era um dashboard cheio de números, sem uma ligação específica. Útil para o time técnico, mas não para a pergunta do Fabiano, que era "o que aconteceu nesta ligação?"
Tarefas
O objetivo era claro. Ajudar o Fabiano a revisar todas as ligações, rápido.
No workshop, um analista falou a frase que guiou o projeto inteiro. "Nós já temos telas demais." Então minha regra foi simples. Usar IA para melhorar o trabalho dele, mas sem criar uma tela nova.
Também precisávamos mostrar a arquitetura "To-Be" da IBM de um jeito que os executivos da TIM entendessem e aprovassem. Em vez de diagramas e slides, levamos um protótipo interativo com a IA funcionando na tela real do analista.
Meu papel. Liderei o design de ponta a ponta. Decidi começar com um workshop com os usuários e conduzi as conversas com o time da IBM e com o cliente. Defini o layout, a ordem de leitura e os padrões de interação, e desenhei o componente de player de áudio. Um segundo designer trabalhou comigo em tempo integral, e eu revisava o trabalho todos os dias.
Ações
O processo em 6 etapas
- iOuvir o usuário. Liderei um workshop com o time de ouvidoria e mapeamos a jornada do Fabiano passo a passo. Depois, conduzi uma ideação com um time multidisciplinar da IBM. Quase todas as ideias viraram funcionalidades da tela final, como o resumo por IA, pular para o momento do problema e a transcrição por trechos.
- iiRascunhar no papel. Conduzi uma sessão de paper prototyping com o time de design. O arquiteto de soluções estava na sala, então validamos cedo o que era viável. Cada pessoa desenhou sua versão, e eu juntei as melhores ideias numa versão digital.
- iiiDuas propostas. Criei duas direções com níveis diferentes de detalhe. Uma no modo claro, só com a informação principal. Outra no modo escuro, com mais dados, como etapas do roteiro e contagem de menções. A TIM escolheu o modo claro, porque era menos densa e parecida com os sistemas que o time já usava.
- ivValidar com usuários. O teste mudou meu design. Na primeira versão, a coluna da esquerda tinha os dados da ligação e o resumo em cima, e os gráficos embaixo. Os analistas pediram a informação mais fácil de ler à esquerda. Como os gráficos se leem em um segundo, eles ganharam uma coluna própria, e os dados e o resumo foram para o meio.
- vConstruir com Carbon. A tela foi construída com o IBM Carbon Design System.
- viEm produção. A solução ficou em produção até 2024.
Decisão 1 · Ler só o que importa
A transcrição é dividida em trechos, cada um com seu horário e quem falou. O analista filtra por motivo da ligação, por exemplo cancelamento, e só esses trechos ficam na tela. As palavras-chave ficam em negrito, então o olho encontra rápido.
Decisão 2 · Detalhes só quando precisa
Cada trecho tem um link "Detalhes". Ele abre o motivo, o submotivo, o sentimento e as menções daquele trecho. Por padrão fica fechado, então a tela continua limpa, mas está sempre a um clique.
Um player de áudio que pula para o momento certo
O Carbon não tinha um player de áudio, então eu desenhei um, na mesma linguagem visual. O analista clica no play de qualquer trecho e o áudio começa exatamente ali. O player marca na onda sonora qual parte está tocando. Assim o Fabiano não precisa ouvir a ligação inteira para achar uma frase.
Construído com IBM Carbon
A engenharia já usava o Carbon. Isso deixou o desenvolvimento mais rápido e a tela consistente com outros produtos IBM. Usei o que já existia, como header, abas por ligação, tags, busca, dropdown de filtro, botões, tooltip, gráficos, tipografia, ícones e cores. Só criei um componente novo onde o Carbon tinha uma lacuna, que foi o player de áudio.
Resultados
- iImpacto imediato. O tempo de revisão por ligação caiu de 4 horas para 30 minutos, segundo a medição da IBM Consulting. A cobertura foi de 25% para 100%, então agora toda ligação pode ser revisada, e não só uma amostra.
- iiNegócio. O trabalho ajudou a IBM a fechar um contrato de US$ 6 milhões com a TIM.
- iLongo prazo. O workshop de paper prototyping virou prática do time de design de Client Engineering da IBM. O player de áudio entrou no backlog do Carbon.
O que eu mudaria hoje
Olhando para trás, mudaria três coisas. Fiz este conceito em 2026 para mostrar como eu evoluiria a tela.
- iRisco primeiro. Para a ouvidoria, o sinal mais importante é uma menção à Anatel. Na tela original isso era só uma tag. No conceito, vira um alerta no topo, e um clique leva o analista ao momento exato da ligação.
- iiUm assistente de IA que mostra a fonte. O analista pergunta se o atendente seguiu o roteiro, ou pede um rascunho de resposta ao cliente. Cada resposta tem um link para os trechos de onde veio. Isso gera confiança, porque o analista confere a resposta em segundos.
- iiiSinais em uma linha. Os gráficos ocupavam uma coluna inteira para dois números e uma palavra. A nota de satisfação usava uma escala de 0 a 100 para uma única ligação, mas o NPS funciona com uma nota de 0 a 10 por cliente, e de 0 a 6 é detrator. No conceito, a nota do cliente aparece com a classe, junto com sentimento e silêncio em uma linha, e o motivo da ligação vira uma tag. A transcrição e o resumo ganham o espaço, porque são o centro da tarefa.
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